Me perdoe muitas vezes não tirar a armadura,
Me perdoe muitas vezes relembrar a vida dura,
Me perdoe muitas vezes não sorrir com tanta ternura.
Se para ti parece ataque minha fala desconfiada,
imagine como foi, em mim, levar tantas facadas.
Você não tem responsabilidade,
você nem me conhecia,
mas, acredite, estou tentando,
dia após dia.
Me perdoe se, no caminho, pareço desligada,
essa foi a forma que aprendi para não ser maltratada.
Me perdoe se minha armadura lhe causa tanta dor,
foi a forma como me ensinaram a lidar com o amor.
Me perdoe se minha armadura não te deixa me ver por inteira,
foi assim que aprendi que o que eu sentia era besteira.
Eu prometo que estou tentando,
dia após dia, me doar a novas experiências
e permitir que a alegria dê lugar à desconfiança
que sempre existia.
Que seu amor chegue como ferrugem
e, aos poucos, possa desintegrar
o que parecia que protegia,
mas que, no final das contas,
apenas me escondia.
De uma vida que não precisa ser dura
e que se possa viver,
ainda que por um instante,
sem precisar vestir
Armadura.